A neurofisiologista e neurocirurgiã Louisa Nicola insiste no poder do esporte, não apenas para melhorar a resistência e a força geral do nosso corpo, mas também para nos ajudar, a longo prazo na longevidade, a ter um risco menor de desenvolver demências como o Alzheimer, bem como outros tipos de patologias graves.
Poderíamos dizer que, em questões de saúde, a atividade física é um bom antienvelhecimento ou uma espécie de medicina preventiva que podemos usar a nosso favor. Se queremos envelhecer de forma saudável, é fundamental estar em forma e com massa muscular.
"Um conceito importante na neurociência é o que se refere à reserva cognitiva. É a capacidade do seu cérebro de lidar e superar o estresse. É semelhante ao que acontece com o VO2 máx, que é uma medida da aptidão respiratória máxima, ou seja, nossa capacidade de utilizar o oxigênio quando estamos em um estado de alta intensidade. Quanto mais em forma estiver, mais reservas terá para superar o estresse. Estresse como uma infecção, o estresse cotidiano, a falta de sono, uma cirurgia. Quanto mais reservas tiver em seu banco, mais fácil será superá-lo", explicou a especialista em "The Diary of a CEO".
"O mesmo acontece com o seu cérebro. Quanto mais reserva cognitiva você tiver, mais capacidade terá para se defender contra as agressões à medida que envelhece. Há muitas maneiras de promover essa reserva cognitiva, como ler ou escrever à mão. Mas o exercício é um dos estímulos mais poderosos para a saúde cerebral, a prevenção da doença de Alzheimer e a reserva cognitiva. Quanto mais exercício você fizer, maior será o seu cérebro", insistia a especialista.
É verdade que há semanas em que nos custa mais do que outras treinar, mas o segredo está em encarar essa atividade como um favor ao seu eu do futuro. Se algo ficou claro para nós é que o esporte anda de mãos dadas com a longevidade e a qualidade de vida. A neurocientista insiste:
"O sedentarismo é uma doença. Você pode mudar o rumo da sua vida fazendo 10 agachamentos com salto a cada hora durante aproximadamente 8 horas. Um estudo demonstrou que fazer isso pode compensar um estilo de vida sedentário. Se você fizer 10 a cada hora, pode superar os benefícios de uma caminhada rápida de 30 minutos. Porque, infelizmente, essa é a vida que levamos".
Por fim, a especialista tenta esclarecer um pouco como o sedentarismo foi se instalando gradualmente em nossas vidas.
Às vezes, a culpa é dos trabalhos que nos mantêm diante do computador por horas e horas sem nos movimentarmos, mas também do lazer associado ao celular, que nos exige ficar parados.
"Estamos cada vez mais sedentários em nosso dia a dia. Passamos mais tempo sentados e saímos menos. As crianças pequenas jogam videogames e passam o dia olhando para o celular. Há muitos fatores que influenciam nosso estilo de vida sedentário, o que, como você disse, aumenta o risco de sofrer de doenças. O ideal é combinar treinamento de força e aeróbico, mas começar a se movimentar é o primeiro passo", explica Louisa Nicola.
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